Nos últimos dias, uma onda de furtos e roubos de motocicletas tomou conta da cidade, deixando moradores em alerta e um rastro de insegurança no ar. São motos simples, populares, muitas vezes o único meio de transporte de trabalhadores, escolhidas pelos criminosos justamente pela facilidade de revenda das peças destrinchadas em desmanches clandestinos.
Cada motocicleta levada não representa apenas a perda material, mas um pedaço da rotina que se desfaz. É o entregador que já não consegue cumprir seu trabalho, o estudante que não encontra mais o caminho ágil até a escola, o pai de família que vê a vida ficar mais difícil de um dia para o outro. Como se não bastasse, os automóveis também entraram na mira dos criminosos, sobretudo em dias de eventos, quando a distração e a aglomeração tornam-se terreno fértil para a ousadia dos ladrões.
A cidade hoje, carrega no peito um misto de medo e revolta. Os moradores observam, comentam, desabafam, mas a sensação de impotência se espalha como fumaça. É preciso que as autoridades enxerguem, não apenas os boletins de ocorrência acumulados, mas a dor silenciosa que se espalha por cada lar atingido. O apelo não é apenas por segurança, é por dignidade, por respeito ao direito de ir e vir, por um basta à ousadia que cresce nas sombras da negligência.
Caetité clama. E clama urgente. Porque cada moto levada não é só um veículo a menos nas ruas, mas mais um símbolo de que a vida honesta tem sido roubada aos poucos, peça por peça, como num desmanche clandestino que insiste em desmontar a paz na cidade.